Aventura de Martin Haas

Data 03/10/2008








Uma turma de trilheiros do "Mato ou Morro" foi, mais uma vez, até as areias da praia de Cassino; mais precisamente até o "Hotel Abandonado" à beira mar. Me convidaram para ir junto mas desta feita não deu, pois saíram de Panambi no dia 01-10-2008 (quarta-feira) exatamente às 20:38 e eu precisava trabalhar até o sábado ainda. Fiquei muito sentido, mas paciência. Tive então a idéia de ir até lá com minha super YBR 125K na sexta-feira, depois de sair do serviço, lá pelas 17:30; são 786 KM!!!!!!!!!!Loucura, eu sei, mas eu estava decidido à ir. Quinta-feira de noite eu pensei melhor, pesei bem a situação e vi que era loucura, pois eu estava com uma inflamação no menisco do joelho direito, tenho um princípio de érnia de disco e, pra completar, o licenciamento da moto estava vencido, e não ia dar tempo de providenciar a papelada; ééé, era muita loucura mesmo, desisto. Sexta-feira, cheguei em casa para o almoço, sentei à mesa, olhei pro céu azul e pensei: "Tenho só 33 anos, se eu estou me encolhendo pra isso agora por uma dorzinha aqui e ali , o que vai ser de mim daqui a alguns anos? " Resultado! Mudei de idéia na hora; levei a mulher para o trabalho, pedi pro chefe uma dispensa e fui. Sai de Panambi às 16:30 de sexta-feira 03-10-2008, mochila nas costas e muita concentração nas idéias. Até Santa Maria fui em duas horas, abasteci, coloquei roupa quente e segui viagem, até aqui, média de consumo 33 km/l. Rodei mais 222 Km até Canguçu, fazia muito frio, abasteci, comi alguma coisa e tchau, média de consumo 34,17 km/l Sem ter certeza do trajeto que iria percorer eu ia muito ansioso, rodei mais 80 Km até as 23:00 e cheguei em Pelotas. Segui em direção à Rio Grande pela BR 392 que peguei em Santa Maria, lá em Rio Grande entrei pela BR 471 na qual começava o último grande trecho da viajem. Quando eu estava em meio ao trecho que atravessa a reserva do Taim a moto deu uma engasgada e morreu o motor, to perdido pensei pra mim, engatei segunda marcha e dei um tranco de ré na moto, pedalei e ela funcionou de novo, ufa!!! Cheguei em Santa Vitória do Palmar a 01:30 da manhã de sábado, quase sem gasolina procurei um posto de combustível mas com medo de todos estarem fechados aquela hora; dei sorte e coloquei mais 9 litros. Tinha agora mais 12 Km de asfalto até a praia. Andei mais 4 Km e a moto apagou de novo, empurrei ela até uma luz ali perto e tirei a cuba do carburador, noooossa!quanta gosma!quase não acreditei no que sobra da gasolina quando a moto fica parada por um tempo.Limpei , montei e fui até a praia. Cheguei logo até o balneário Hermenegildo onde começava o último trecho de 40 Km pela praia até o acampamento, andar pela praia com moto de rua é fácil quando a maré está baixa, mas quando vi o mar, ele estava alto e eu precisava andar com a moto na parte mais alta da praia onde a areia é mais fofa. Resultado, o que deveria levar uns 40 minutos acabou levando quase três horas, o meu cansaço era tão grande que eu não tinha consciência do que estava acontecendo comigo naquele momento, só hoje eu percebo o sofrimento que foi, dos quarenta quilômetros, uns vinte no mínimo eu empurrei a moto pelas dunas. Às 04:30 da manhã eu cheguei finalmente ao acampamento .Não aconselho ninguém fazer isso, é loucura mesmo, mas não me arrependo nem um pouco, pois o amanhã ninguém conhece. Até mais, Martin Haas.